Aproveitando a presença do Ministro da Saúde na inauguração do Hospital de Loures, as Comissões de Utentes dos Concelhos de Loures e Odivelas manifestaram-se ontem, dia 10 de Março junto ao hospital exingindo melhores condições de saúde e cuidados de saúde acessiveis a todos.
As taxas moderadoras, a falta de médicos de saúde, o encerramento do Serviço Básico de Saúde de Santo António dos Cavaleiros, a diminuição do horário de funcionamento do CATUS de Moscavide e a intenção de encerrar o de Odivelas, bem como o encerramento das urgências do Hospital Curry Cabral e o encaminhamento da população para as urgências do Hospital São José, motivaram o protesto das populações dos dois Concelhos.
As mais de duas centenas de pessoas presentes no protesto aprovaram a seguinte moção:
MOÇÃO
Por mais e melhores condições de saúde
Por cuidados de saúde hospitalares acessíveis a todos
A necessidade de um novo Hospital em Loures, que servisse adequadamente os utentes dos dois Concelhos, justificou durante mais de uma década a reivindicação e justa exigência das respectivas populações, pela construção de uma unidade hospitalar pública e acessível a todos. A sua construção é também, e muito, resultado dessa luta persistente e firme que durante anos e anos foi travada na defesa de mais e melhores cuidados de saúde;
A decisão deste Governo, de não construção do Hospital de Todos os Santos, na zona oriental de Lisboa e para onde o Ministério da Saúde pretendia transferir os cerca de 100.000 utentes das 7 freguesias da zona oriental do Concelho de Loures – Bobadela, Moscavide, Portela, Prior Velho, Sacavém, Stª Iria da Azóia e S.João da Talha – bem como o encerramento das urgências do Hospital Curry Cabral, levou a que, embora com um novo hospital em Loures, todos estes utentes passassem a ser servidos, para efeitos de urgência hospitalar, no Hospital de S.José, já completamente sobrelotado e de difícil acesso para os utentes.
O encerramento do Serviço de Urgência Básico (SUB) de St.º. António dos Cavaleiros, a diminuição do horário do CATUS de Moscavide e a intenção de encerramento do CATUS de Odivelas, cujo horário tinha sido já drasticamente reduzido e que, entretanto, foi deslocado para a Póvoa de Stº Adrião – alegadamente por motivos de obras mas depois destas concluídas não voltou para Odivelas, local onde funcionou desde sempre -, são decisões que concorrem igualmente para a situação crítica, já comprovada, de entupimento das urgências, que atingem as 9, 10h de espera e que, em pouco mais de uma semana em funcionamento, motivou já o desespero e reclamações de muitos utentes. Por outro lado a população da freguesia da Pontinha, no concelho de Odivelas, que está a cerca de 10 minutos do Hospital de Santa Maria, fica obrigada a ser atendida no Hospital de Loures, demorando mais de 1 hora em transportes e gastando quase 10 euros na deslocação, ocupando vagas que poderiam ser destinadas à população das freguesias não abrangidas do concelho de Loures.
A que acrescem a manifesta insuficiência de recursos humanos, debilidades no atendimento e as difíceis condições de acesso ao Hospital para muitos utentes, em resultado da distância ao hospital e da escassa oferta de transportes públicos.
Esta situação é ainda mais inaceitável quando, nos dois concelhos, mais de 100.000 utentes não têm médico de família (em Odivelas ultrapassam já 1/3 do total dos utentes) e a degradação dos cuidados de saúde primários tem vindo progressivamente a agravar-se.
Enquanto sobem de forma escandalosa as taxas moderadoras e o preço dos medicamentos, são extintas as especialidades e os meios de diagnostico que já existiram, os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde diminuem, saem e não são substituídos, muitas instalações estão degradadas e sem o mínimo de condições e alguns dos centros de saúde prometidos há anos e anos não passam de promessas, como é o caso do novo centro de saúde de Odivelas, Olival Basto, Pontinha.
Esta situação é inaceitável, profundamente lesiva dos direitos das populações, penalizando ainda mais os utentes que veêm assim sempre agravadas as suas já insuficientes condições de acesso a cuidados de saúde adequados e com qualidade.
A saúde é um direito, não deve nem pode ser um negócio! As parcerias público-privadas, como o Hospital de Loures, traduzem-se pelas experiências acumuladas no nosso país, em piores serviços para as populações e maiores custos para o Estado, sendo fonte de lucro fácil para os grandes grupos económicos.
Assim, a população dos Concelhos de Loures e de Odivelas, em Concentração/Protesto realizada no dia 10 de Março de 2012 junto ao Hospital Beatriz Ângelo, Loures, denuncia esta grave situação e exige do Governo:
- A construção prioritária do Hospital da zona Oriental de Lisboa e que, até à sua abertura, sejam reabertas as urgências do Hospital Curry Cabral ou, em alternativa, os utentes das 7 freguesias que são afetadas, passem a ser atendidos no Hospital Loures, com o devido reforço dos meios materiais e humanos;
- Que a população da freguesia da Pontinha passe a ser referenciada para o Hospital de
Santa Maria, incluindo as urgências hospitalares;
- A reabertura imediata do SUB de Stº António dos Cavaleiros;
-A reabertura imediata do CATUS/Odivelas no local onde sempre esteve e com serviços semelhantes aos prestados nos SUB;
-A colocação dos médicos de família que estão em falta e o reforço dos restantes recursos humanos e técnicos, em termos que assegurem os cuidados de saúde adequados às reais necessidades e com a qualidade a que temos direito;
- O reforço da oferta de transportes públicos, criando condições de acessibilidade adequadas em toda a área de influencia do Hospital de Loures.
As Comissões de Utentes dos concelhos de Loures e Odivelas
Loures, 10 de Março de 2012
Depois de aprovada esta moção será enviada ao Ministério da Saúde, Câmara Municipal de Loures, Câmara Municipal de Odivelas, Direcção Regional da Saúde de Lisboa e aos órgãos de comunicação social nacionais e regionais.
No final do protesto os representantes das Comissões de Utentes tentaram entregar a moção aprovada ao Ministro da Saúde mas não foi possível, pois este recusou recebeê-los e saiu tal como entrou pela "porta dos Fundos" evitando assim confrontar-se com o protesto das populações.



